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Crítica: "AJ and the Queen"



A drag Queen Ruby Red (Rupaul) decide se aposentar dos palcos e investir todo o dinheiro que juntou em sua carreira em sua própria boate. Mas ela não esperava ser vítima de um golpe aplicado pelo “amor da sua vida” e muito menos ter que sair em turnê com AJ, uma criança rebelde de sua vizinhança que invadiu seu trailer.


A inusitada parceria entre a Netflix, Rupaul e Michael Patrick King (Sex and the City) a principio parece apenas mais uma produção apelativamente comercial para o catálogo do serviço de streaming, mas consegue fechar como um bom entretenimento reflexivo.


O enredo é previsível e cheio de reciclagens amadas pelo público LGBTQA+, como as semelhanças da premissa com o clássico “Priscilla, a Rainha do Deserto”. Mas acaba sendo um alívio ver situações parecidas com os conflitos do filme de 94 sendo mais socialmente aceitas atualmente, mesmo que algumas problemáticas não tenham mudado muito nesses quase 30 anos entre as produções.


A personagem de Rupaul pode até ser uma versão menos superficial de sua persona criada para seus programas de TV, mas é preciso dar mérito por sua atuação. A dualidade Robert/Ruby foi bem construída e consegue facilmente quebrar a personalidade icônica que o público esta acostumado a ver.

Já Izzy G, sua pequena parceira de cena, demora a significar sua antipatia com o aprofundamento de AJ.

O jogo cênico dos dois consegue criar um interessante paradoxo em que uma performa masculinidade como mecanismo de defesa enquanto o outro performa feminilidade como expansão de sua autoestima.



A intenção de ter uma personagem que é drag Queen e deficiente visual seria ótima, não fosse pelo fato de ser interpretado por um ator que não é deficiente visual e ainda ser um constante alvo de piadas ao longo da série. A ótima comicidade de Michael-Leon Wooley como Louis acaba sendo um desperdício nessa falha tentativa de representatividade.

Já a pequena e preciosa participação de Jane Krakowski traz um pontual respiro pra quando a maratona começa a ficar cansativa.


Em geral, são situações absurdas que contornam potentes historias sobre identidade. E nada justifica um enredo que poderia muito bem ser um ótimo filme de 2 horas ter sido saturado em 10 episódios com cerca de 50 minutos cada. Tudo demora a engatar e não é difícil pensar em desistir logo no começo.


O lado mais dramático é bem escrito, mas a comédia é ultrapassada e problemática. É um prato cheio para os fãs de “Drag Race” que, em sua maioria, aplaudem misoginia, gordofobia e Slut Shaming em prol de um bom shade. É difícil dar seriedade às pautas que a serie acerta quando escolhe regredir ao propagar tantos estereótipos negativos. Ainda mais em um momentum com uma série como “Pose” que vem humanizando tanto o imaginário popular pejorativo da comunidade drag e trans/travesti.


É uma boa série para ver em uma maratona despretensiosa. Difícil pensar em algo significante que poderia ser extraído da narrativa para desenvolver uma segunda temporada.



“AJ and The Queen” está disponível no catálogo da Netflix: https://www.netflix.com/title/80237329

NAVEGUE

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