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  • Matheus Marcucci

Crítica: ''Aprendiz de Espiã''


Gêneros.

Drama. Comédia. Ação. Suspense. Terror. Romance. Crianças com problemas paternos vivendo aventuras de espionagem com atores bombados saídos de filme de ação. Ah, os clássicos…


Em ''Aprendiz de Espiã'', Dave Bautista expande sua crescente carreira como protagonista depois do sucesso na franquia ''Guardiões da Galáxia'', interpretando um agente da CIA que é designado a vigiar uma família como uma missão secreta, mas é pego de surpresa pela interferência da pequena, e inteligente Sophie (Chloe Coleman). O relacionamento dos dois logo se transforma em uma amizade e acaba por interferir na missão.


Quem cresceu nos anos 2000 provavelmente viu dois ou três filmes dessa curiosa categoria que de tempos em tempos volta às telas: ‘'Treinando o Papai’’, com o fortão designado: The Rock; ‘’Operação Babá’' com o fortão designado Vin Diesel; ‘'Missão Quase Impossível’' com o fortão designado Jackie Chan. Ou até o recente ''Brincando com Fogo'', com o fortão desgnado estreante John Cena.


Qualquer crítica sobre esse filme tende a apontar esse fato logo de cara, mas a verdade é que qualquer blockbuster, não importa o público-alvo, pode ser comparado com outros três filmes. É a natureza de reciclagem cíclica comum de Hollywood. Os exemplos acima em si podem ser comparados a mesma subcategoria de filmes infantis dos anos 80: ‘’Um Tira no Jardim de Infância’’, ‘'Sinbad - Enloquecendo Meu Guarda Costas’’, ‘’Um Herói de Brinquedo’’.

O problema pra definir a qualidade então não é o fato de ser reciclagem - apenas quando se comenta crise criativa de Hollywood, mas isso não é necessariamente o problema aqui. É a habilidade de adaptar o formato aos novos tempos e à uma audiência completamente diferente da anterior. ''Aprendiz de Espiã'' sofre por parecer um produto de um tempo passado.


Existe uma tentativa de se manter atual, com inúmeras, e por vezes irritantes e forçadas, inserções de piadas com danças de Fortnite ou o fato da protagonista ser mais perita em tecnologia do que os próprios agentes secretos, por exemplo. Subestima-se demais a inteligência de uma audiência que consome produtos audiovisuais em números muito maiores do que consumia dez anos atrás.


A trama demasiadamente simples e banal, erra ao se conformar com o limiar de atenção baixo de sua audiência e não o tentar superar. Faz com que toda criança provavelmente capte o filme muito rápido e se desligue automaticamente cinco minutos depois. A projeção então vira um vídeo de YouTube que provavelmente seria pulado, mas não se tem opção.



Dave Bautista parece desconfortável e perdido. A simpatia não óbvia dele - diferente da de um The Rock - precisa de um bom diretor e aqui não é caso. O roteiro com poucas piadas funcionais não contribui. Como resultado, a atuação da jovem Chloe Coleman também é prejudicada, sendo genérica e morna. A química entre os dois é muito artificial. A mesma coisa se repete quando eventualmente se desenvolve um romance entre Bautista e a mãe da menina. Kristen Schaal se esforça em tentar criar uma dinâmica interessante como a parceira de CIA de Bautista, mas também acaba por limitar-se no esperado.


O filme tem seus momentos e as poucas piadas para os pais faz com que a projeção não seja uma tortura para quem levar os filhos. Porém, será difícil impedir as crianças de quererem seus celulares por muito tempo. Em um mercado de conteúdo sobrecarregado, não deve se sobressair. Só resta, então, esperar se a versão dessa mesma ideia em 2030 será mais divertida.


''Aprendiz de Espiã'' chega aos cinemas brasileiros dia 12 de março de 2020 com distribuição da Diamond Films Brasil.

NAVEGUE

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