Search

Crítica: "Aves de Rapina - Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa"


O titulo do filme pode ser difícil de decorar, mas é autoexplicativo.

A apresentação do grupo “Aves de Rapina” para o universo cinematográfico da DC vem como um adicional apoiado no hype da Arlequina.

E diferente da propaganda enganosa de certo filme sobre um grupo de vilões “liderado” por um controverso palhaço que no fim das contas aparecia apenas em meia dúzia de cenas com uma atuação medíocre, a icônica personagem dos quadrinhos É o centro da trama.

E isso não é usado como desculpa para apresentar as outras personagens de forma rasa, viu?

O significado de sua “emancipação” pode ser interpretado metafórica e literalmente, para dentro e fora da ficção. E acontece de forma “Fantabulosa”, que é o adjetivo ideal para descrever o tom frenético escolhido para a produção.


Talvez o enredo seja fraco. Afinal, o único compromisso que o roteiro assume é o de não se levar a sério, inclusive ao ironizar suas próprias falhas e alguns estereótipos do gênero. Mas ignorando toda a loucura, é uma história sobre mulheres assumindo o controle de sua própria narrativa ao se desvencilhar de parceiros abusivos, traumas de infância ou até mesmo de uma versão tóxica de si mesma.


Já não era novidade a impecável atuação de Margot Robbie como Arlequina. Mesmo esnobada em pouco tempo de tela, ela conseguiu ser a única válvula de escape do desastroso “Esquadrão Suicida” (2016). Mas diferente da visão sexualizada na versão do diretor David Ayer, aqui a personagem teve espaço de sobra para mostrar sua complexidade através de sua indomável comicidade e até mesmo expor seu lado mais sensível. É impressionante como cada nuance de expressividade e trabalho corporal é fiel aos quadrinhos e desenhos animados nostálgicos.



Em um primeiro momento chega a ser inimaginável que a junção da inocência da jovem Ella Jay Basco como Cas, a big dick energy de Rosie Perez como Renee Montoya, a intensidade de Jurnee Smollett-Bell como a Canário Negro e os alívios cômicos na deliciosa antipatia que Mary Elizabeth Winstead trouxe para a Caçadora poderia resultar em uma equipe de bad girls tão complementar.

E Ewan McGregor esta maravilhoso como o instigante vilão Roman Sionis/Máscara Negra.


A montagem faz o filme ter uma aura de “Scott Pilgrim” (porém com alto orçamento), tanto por sua narração quebrando a quarta parede quanto pelo inteligente uso de recursos de tela para destrinchar informações sobre as personagens. E mesmo em um mar de referencias da cultura pop, sejam as óbvias homenagens/paródias ou inspirações mais sutis, a atmosfera criada consegue ser extremamente original nesse momento em que filmes Marvel/DC estão ficando cada vez mais saturados.


A genial escolha de ter cenas de luta épicas onde a violência não é explicita consegue nos deixar ainda mais imersos na mente insana da protagonista e entender sua visão de mundo tão lúdica. A estética é de um exagero glamouroso e mesmo as decisões de direção e fotografia mais bregas acrescentam para a linguagem criada. Além dos figurinos absurdos e a eletrizante trilha sonora serem quase que personagens do longa.


Bem ou Mal, não é igual a nada já feito no meio e só isso já faz a experiência valer. Mas é inegável que é uma produção muito mais consciente e representativa que basicamente todos os filmes de heróis ou vilões produzidos, dirigidos e estrelados por homens cujo único objetivo é agradar outros homens (majoritariamente misóginos).


A diretora Cathy Yan já é uma super-heroina só pela coragem de levar para as telas tanta surra de glitter no patriarcado.



“Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa” chega aos cinemas em 6 de Fevereiro, com distribuição nacional da Warner Bros. Pictures.

NAVEGUE

Todas as imagens de filmes, séries, artistas, editoriais e etc são marcas registradas dos seus respectivos proprietários e usadas aqui sem fins lucrativos.

This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now