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  • Matheus Marcucci

Crítica: ''Cadê Você Bernadette?''



Linklater é um cineasta que melhor se destaca quando faz cinema de artifício. ''Cadê Você Bernadette?’’ (Where’d You Go, Bernadette?’) parece então um material perfeito para o diretor. Baseado no best-seller homônimo de 2012, de Maria Sample, o filme circula a vida de uma ex-bem sucedida arquiteta, Bernadette (Cate Blanchett), considerada a voz prometida da geração que após uma frustração na carreira, se afunda em uma rotina depressiva e isolada em Seattle. Suas únicas atividades diárias incluem buscar a filha Bee (a estreante Emma Nelson) na escola, com quem mantém um ótimo relacionamento, uma rivalidade com uma das mães do colégio, interpretada por Kristen Wigg e um relacionamento familiar conturbado com seu marido, um desenvolvedor da Microsoft (Billy Crudup).


O livro na qual se baseia, é escrito de uma uma forma totalmente não convencional. Através de registros de emails, documentos e cartas, o livro tece a imagem da protagonista e do universo que a rodeia. Linklater não é a averso a modos diferentes de construir personagens e história. Boyhood e sua trilogia do Amanhecer são exemplos de como o diretor floresce quando a forma se submete e se modifica de acordo com a história a ser contada. Estranhamente, aqui, ele segue para um caminho convencional.


Porém, as necessidades de um ritmo e um olhar diferente da história simplesmente não acompanham a proposta do diretor. O público é jogado de informação A para informação B a todo segundo, camadas são adicionadas na protagonista a cada curva e uma direção convencional não segura os avanços narrativos. O diretor parece tentar adequar a história contada para dentro de uma fórmula feel good e mastigável para quem assiste, e esse é o oposto do que a própria narrativa pede.




Ultimamente, esse é um filme complexo demais e com uma protagonista complexa demais para ser contado dessa forma. Cate Blanchett, que também parecia ser outro casamento perfeito, segura ao máximo que pode, mas fica claro ao público que ela também segue para um caminho convencional. Em muitos momentos, sua atuação lembra a dela mesma em filmes melhores como Blue Jasmine, papel que lhe deu o Oscar em 2014. Ela está bem, mas com uma facilidade perceptível que impede que seu personagem passe do senso comum. E novamente, a história parece clamar que todo mundo envolvido extrapole de si mesmo e de qualquer outra convenção para funcionar.


O roteiro é eficaz em certas partes, principalmente nas cenas com longos diálogos e nos raros momentos que Linklater ousa brincar com a fórmula. Mas até esses momentos parecem deslocados dentro de um filme comum até demais.


Em alguns momentos parece que o foco está na narração da filha em busca de tentar compreender sua mãe - narração essa que aparece e desaparece durante o longa -, outros parece ser uma análise sobre a vida na elitista e falsa progressista Seattle com os personagens de Wigg e Crudup, que também parecem aparecer e desaparecer. E termina como uma jornada de auto-conhecimento da protagonista. O filme pincela ser tudo isso ao mesmo tempo, e tem tudo para ser, mas no final, parece confuso e sem foco. O que resta a quem assiste é puro potencial desperdiçado, e um sorriso aqui ou ali.


‘’Cadê Você Bernadette?’’ chega aos cinemas em 7 de novembro, com distribuição da Imagem Filmes.

NAVEGUE

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