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Crítica: "Coringa"



Em uma decadente Gotham City, o aspirante a comediante Arthur Fleck (Joaquin Phoenix) se afunda cada vez mais com situações traumáticas de sua vida e a negligencia quanto a sua condição neuroatípica, o que o fazem assumir o “Coringa”.


O longa tem a proposta de ser um filme de origem, onde o telespectador já sabe onde a história vai chegar. Mas é a maturidade com que a personagem é construída que o faz ir além de tudo que já é conhecido desse vilão tão icônico. Existem referencias ao universo já conhecido, mas a originalidade na apresentação da personagem foge tanto do fantasioso que é fácil esquecer que não se trata de uma realidade convencional.


E tudo isso ganha ainda mais potencia com a atuação visceral de Joaquin Phoenix, que aprofunda a psique de uma personagem que julgamos conhecer tão bem em suas várias versões. Com seu trabalho corporal absurdo é intrigante assistir seu minucioso crescimento gradual nas mais de 2 horas de filme em que são poucos os momentos que ele não esta na tela. Conseguimos entrar na sua cabeça louca e terminar o filme questionando o que é real e o que era um delírio dentro de sua perspectiva.

O restante do elenco faz um trabalho excepcional, mas as atuações de Robert DeNiro, Zazie Beetz e Frances Conroy acabam sumindo em meio a tanta loucura.





A fotografia é grandiosa, valorizando cada detalhe milimetricamente pensado para a atmosfera criada.E a trilha sonora é um esplendor a parte, desde a construção de tensão ao pontual uso do silêncio. Com destaque para uma cena que subverte a clássica “Send in the Clowns”, composição de Stephen Sondheim para o musical “A Little Night Music”.


Mesmo sem glamourizar a violência é inevitável sentir um necessário desconforto ao assistir. Não é uma história para justificar a criação de um vilão e muito menos tentam construir uma figura de anti-herói, mas uma perspectiva extremamente política sobre negligencias e suas consequências em humanos que são renegados em sociedade.


É justificável o hype que a produção vem recebendo, mas não é um entretenimento para qualquer um. O que inclui tanto o público em geral, por se tratar de uma trama feita para incomodar, quanto aos que esperam a fórmula “Filme de Herói” que vem arrastando multidões para os cinemas na última década.

É um filme para se assistir rindo de nervoso e com muito a ser digerido depois.





“Coringa” chega aos cinemas em 3 de Outubro, com distribuição da Warner Bros. Pictures.

NAVEGUE

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