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  • Alexandre Ferraz

Crítica: "Frankie"

Uma famosa atriz francesa, Françoise Cremont, a “Frankie” que dá nome ao filme, organiza uma viagem entre amigos e família na cidade paradisíaca de Sintra, em Portugal, como um último encontro devido à iminência de um câncer terminal que a afeta. Enquanto a maioria dos convidados não parece muito à vontade com as "férias forçadas", o cenário de conto de fadas faz aflorar sentimentos guardados e situações inesperadas.



O filme, que figurou na Seleção Oficial do Festival de Cannes de 2019, tem como seu maior trunfo inegavelmente o elenco, com um casting curioso e surpreendentemente harmônico. Sendo uma co-produção entre vários países, traz atores de diferentes origens e estilos para compor a família e ciclo de amizades de Frankie, interpretada pela gigante Isabelle Huppert. Além da atriz francesa, temos atores bem acostumados com filmes americanos de apelo comercial (Marisa Tomei e Greg Kinnear), outros conhecidos do cinema francês (Jérémie Renier e Pascal Greggory), artistas com maior sucesso na TV britânica (Vinette Robinson e Ariyon Bakare), além de atores portugueses, como Carloto Cotta, e o irlandês Brendon Gleeson, que já figurou em filmes de naturezas diversas. Com essa combinação internacionalmente estrelada, Huppert tem parceiros que se mostram à altura para segurar o roteiro apoiado nos diálogos de Mauricio Zacharias e Ira Sachs, este o diretor do longa.


Dada a trama, Frankie joga a narrativa de um personagem para o outro, de maneira divertida no início na medida em que descobrimos quem são os personagens e quais suas relações. “Divertido”, que não é uma grande palavra para definir o tom do filme, afinal ele trata de um tema sério e apresenta personagens que, além de desconfortáveis com a situação, lidam com seus próprios problemas e questionamentos. Há o filho sem perspectivas de relacionamento amoroso duradouro, a enteada que pensa em se separar do marido e a amiga que se vê encurralada em insistências românticas não desejadas, esta interpretada com especial louvor por Marisa Tomei. Uma certa melancolia carrega cada personagem enquanto perambulam pelas montanhas, monumentos e praias de Sintra, entre encontros e desencontros mas sempre com algum acompanhante que esbarram no caminho.



Por outro lado, ao mesmo tempo, ainda há certo humor e é interessante como Ira Sachs imprime uma leveza no tratamento dos conflitos e dúvidas entre os personagens, o que confere ao filme um quê terapêutico, tanto para os que habitam a trama quanto para o espectador. O cenário português funciona como um escapismo para quem assiste, e este pode se desligar das questões de sua vida pessoal justamente ao ver estes personagens lidando com as suas próprias. O que mais garante a efetividade disso é o carisma do elenco e a sinceridade de um roteiro singelo, que não se propõe a fazer nada grandioso com sua história e acha uma boa maneira de finaliza-la, não resolvendo por completo tudo o que apresentou, mas sim o suficiente para fechar a história.


Frankie é uma produção parcialmente financiada por órgãos de turismo do governo de Portugal, o que tornaria perigosa a aproximação do longa de uma mera divulgação turística. Porém, o conteúdo é suficiente para o desvencilhar desse simplismo e o filme mostra as belas paisagens ao seu favor, contando com uma direção de arte inspirada que as complementa e contribui para pintar essa narrativa de ambiente quase onírico e paralelamente verossímil.



É certo que o filme não é perfeito e perde um pouco a força em alguns de seus vários núcleos, como por exemplo, no da neta que vai à praia e se envolve brevemente com um menino local. Certos pontos também poderiam ter uma resolução um pouco maior, não deixando tanto à esmo no desfecho. Ainda assim, a valsa entre os núcleos de personagem cativa e intriga, e é curioso o fato de nunca vermos um grande encontro entre todos efetivamente acontecer.



Frankie chega aos cinemas brasileiros em 20 de fevereiro e conta com distribuição da Paris Filmes.

NAVEGUE

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