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Crítica: “Hollywood”



Na Era de Ouro do Cinema, Hollywood esta repleta de sonhadores almejando carreiras em frente e por trás das câmeras, ou simplesmente querendo se colocar em uma sociedade clamando por progresso. Mas ninguém está ileso das mentiras, injustiças e escândalos sexuais que permeiam o meio artístico.

A minissérie de Ryan Murphy (“Glee”, “AHS”) e Ian Brennan (“The Politician”) para a Netflix é simplesmente impecável. A sintonia perfeita entre roteiro, elenco e direção de arte tornaria o projeto digno de um titulo como “Once Upon a Time in Hollywood”, já que apresenta um verdadeiro Conto de Fadas em 7 episódios com cerca de 50 minutos cada (que passam voando).

Mais do que uma homenagem ás décadas em que a indústria ganhava notoriedade, é também uma grande crítica ao problemático sistema que por tanto tempo perpetuou racismo, machismo e homofobia como um modus operandi. E mesmo se tratando de obras com teor completamente oposto, fica difícil não comparar a minissérie com o recente filme de Tarantino. Aqui o sentimento de homenagem não dá espaço para estereótipos negativos e muito menos repete atitudes problemáticas sob o pretexto de “ser fiel ao contexto”.

Talvez o enredo não seja tão coerente com o infeliz contexto sociopolítico da época retratada, mas é revigorante se iludir com finais felizes e pequenas reparações históricas. Diversas situações teriam tudo para reproduzir velhos padrões (não seria novidade nos projetos de Murphy), mas subvertem as expectativas ao entregar inesperados momentos de sororidade e debates consistentes sobre gênero e raça.

E se Murphy já explorava os limites da censura em seus projetos para TV, aqui ele se esbalda na liberdade que o serviço de streaming proporciona e entrega uma trama extremamente sexual. Nada é gratuito ou explicito, mas esse pode ser considerado um dos projetos mais ousados de sua carreira.


Os ainda pouco experientes David Corenswet (agora com um tempo de tela mais digno que em “The Politician”), Laura Harrier (“Spider-Man: Homecoming”) e Jeremy Pope (“Ain’t Too Proud”) não se ofuscam ao lado de lendas vivas como Holland Taylor, Joe Mantello e Patti LuPone. Alias, a personagem de PattiLu é uma das melhores da narrativa ao começar como uma deliciosa megera, mas que logo mostra toda uma dualidade de uma atriz e esposa frustrada tentando sentir-se viva outra vez.

A única frustração é o papel nada expressivo de Darren Criss, que mesmo cumprindo bem sua função narrativa acaba sendo uma quebra de expectativa em relação a todas as boas parcerias que já teve com Murphy anteriormente.

Personagens originais criadas para a trama transitam entre brilhantes interpretações de ícones da época, como o Henry Willson de Jim Parsons, a Hattie McDaniel de Queen Latifah, a Anna May Wong de Michelle Krusiec, a Vivien Leigh de Katie McGuinness e o sensível Roy Fitzgerald/Rock Hudson de Jake Picking.

Talvez a pressão de ser uma minissérie sem intenção inicial de prosseguir tenha deixado a visão de Ryan Murphy sobre a trama mais concisa, não caindo em suas já conhecidas pontas soltas e inconsistências de roteiro. Talvez novas temporadas em uma vibe antológica poderiam dar certo, mas conhecendo seu histórico de descarrilar os rumos de seu projeto a cada nova temporada é melhor se contentar apenas com o sucesso do que já está feito.

A experiência pode ser mais especial para os amantes de cinema clássico que vão pegar diversas referências, mas é didática e despretensiosa o bastante para não restringir o acesso á um público que não tem obrigação de ser cinéfilo raiz.

Recomendável para todos os que gostam de bastidores do entretenimento, estética Old Hollywood e boas intrigas.

"Hollywood" já está disponível na Netflix: https://www.netflix.com/title/81088617

NAVEGUE

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