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Crítica: "Jojo Rabbit"


Em meio ao declínio da ditadura nazista na Alemanha, o pequeno Jojo (Roman Griffin Davis) sonha em fazer parte da idealizada juventude de Hitler. Mas suas convicções entram em jogo quando um acidente o impede de dar continuidade a seu treinamento de soldado e ainda descobre que sua mãe esconde uma jovem judia no porão de sua casa.


Adaptação do livro “Caging Skies” de Christine Leunens, “Jojo Rabbit” é uma experiência deliciosamente desconfortável. As sutilezas de roteiro e direção entregam um humor ácido impecável e extremamente reflexivo.

O que pode ser perigoso nessa assustadora reascensão de movimentos facistas levando em consideração que o intelecto de quem faz parte desses pequenos grupos pode não saber lidar com a ironia das críticas.


As personagens são caricaturas com a função de rechaçar figuras cuja ignorância chega a ser patética. E uma vez que a comicidade abre espaço pra a sensibilidade, a narrativa entrega um grande exercício de empatia no cenário mais caótico possível.



No auge dos seus 12 anos, Roman Griffin Davis parece nem fazer esforço para carregar o protagonismo da trama. A combinação de sua ingenuidade com o discurso desprezível de sua personagem trazem um equilíbrio ideal entre lúdico e trágico. Não a toa o ator foi indicado ao Golden Globe de Melhor Ator – Comédia ou Musical, e mesmo assim foi descaradamente esnobado na disputa pelo Oscar.


Scarlett Johansson (Indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por esse papel) explora o melhor de sua zona de conforto e trabalha bem a dualidade de sua personagem.

Também são notáveis as participações de Sam Rockwell como o controverso Capitão Klenzendorf, Thomasin McKenzie como a imponente garota judia Elsa e a surpreendente sobriedade de Rebel Wilson como Fraulein Rahm.


Não se contentando em ser diretor, produtor e roteirista, Taika Waititi também vai para frente das câmeras para dar vida a uma personificação de Hitler que o protagonista tem como amigo imaginário.

Divertidamente apoiado em todos os estereótipos cômicos possíveis, sua função de figura paterna associada a uma visão idealizada de herói fecham com chave de ouro a atmosfera absurda que o filme cria.


É preciso destacar também o impecável design de produção e a milimetricamente costurada trilha sonora. O todo é tão brilhante que consegue nos fazer esquecer da seriedade desse contexto nem um pouco distante da história. É revigorante ver essa temática tão saturada mas, infelizmente, tão necessária sob a percepção inocente de uma criança.



“Jojo Rabbit” chega aos cinemas em 6 de Fevereiro, com distribuição da Fox Film do Brasil.

NAVEGUE

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