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Crítica: “Kiss of the Spider Woman” em Katy Keene


Números musicais aleatórios já são marca registrada da caótica concepção artística das séries de Roberto Aguirre-Sacasa. Enquanto “Riverdale” foi de apresentações despretensiosas de cheerleaders para destruir musicais da Broadway em montagens escolares, “O Mundo Sombrio de Sabrina” teve mais coerência e trouxe a música como uma solução cênica poética em momentos pontuais.


Entre drag queens, aspirantes da música e teatro musical, “Katy Keene” é a sua única série em que intervenções musicais são justificáveis e está tentando entender sua linguagem desde seus primeiros episódios.


O spin-off acompanha jovens almas artísticas passando por perrengues em Nova York, são eles: a estilista Katy (Lucy Hale), a poc de teatro musical que esta se descobrindo drag Queen Jorge/Ginger (Jonny Beauchamp), a já conhecida Josie McCoy (Ashleigh Murray, de “Riverdale”) tentando deslanchar sua carreira de cantora e Pepper (Julia Chan), um tipo de socialite que é cheia dos contatos mas continua falida.

Baseado no livro “El beso de la mujer araña” do autor argentino Manuel Puig, “Kiss of the Spider Woman” acompanha Molina, um vitrinista gay preso por comportamento imoral durante a ditadura sul-americana que cria fantasiosas narrativas em sua cabeça estrelando sua diva, Aurora.


Foi adaptado para o cinema em 1985 em uma premiada produção argentino-brasileira estrelando William Hurt (consagrado Melhor Ator por esse papel no Oscar e Cannes daquele ano), Raul Julia (pode entrar, Gomez Addams) e Sonia Braga no icônico papel da “Mulher-Aranha”. O elenco ainda contava com atores brasileiros como Miguel Falabella, Milton Gonçalves, Herson Capri e (pasmem!) Ana Maria Braga.


E em 1992 virou musical em Londres, estreando no ano seguinte na Broadway. Todo o material usado no episódio é mais fiel á essa versão da obra.


A escolha desse tema para o primeiro episódio inteiramente musical da série é quase tão inusitada quanto a de “Hedwig and the Angry Inch” para o especial da 4ª Temporada de Riverdale que será exibido (e criticado) em breve.

Mesmo que a trama original tenha uma maturidade que excede a aura “Young adults” que a série transpira, o roteiro conseguiu entrelaçar bem as canções com os dilemas atuais das personagens.

E funcionou como um episódio musical, o que é o mínimo esperado uma vez que não tem nem como julgar as performances dentro dos padrões Broadway.


Pode não ser uma boa releitura e em tão pouco tempo de tela mal foi desenvolvido todo o contexto político desse fenômeno Cult, mas é uma boa oportunidade de apresentar a obra para toda uma nova geração que dificilmente teria acesso a ela por conta própria.


Aparentemente, Robertinho ta aprendendo a trazer musicais para as telas. Seus resultaram ainda se equiparam a mediocridade que Ryan Murphy tinha em “Glee”, mas sua evolução ainda pode surpreender e agradar tanto seu fandom adolescente quanto os apreciadores de teatro musical. Atentos!!!



NAVEGUE

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