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  • Mariana Matanó

Crítica: "Kursk - A Última Missão"

★★✰✰✰


Em 12 de agosto de 2000, no Mar de Barents, cento e dezoito homens da Marinha Russa afundavam à bordo do submarino nuclear K-141 Kursk - essa é a história verídica por trás de "Kursk - A Última Missão", dirigido pelo dinamarquês Thomas Vinterberg.



Kursk nasceu com a vontade de ser Titanic. A fórmula tem tudo pra dar certo: nomes marcantes, como Colin Firth, Léa Seydoux e Max Von Sydow (que, embora tenha breve aparição, vale mencionar); uma grande tragédia marítima; protagonista feminina disposta a bater de frente com o governo por seu amor; apelo pra família tradicional; tudo baseado em fatos reais. Ainda assim, a produção deixa a desejar em praticamente todos os quesitos - e os grandes atores, com exceção de Léa, cuja performance é digna de nota, são completamente desperdiçados.



Além de perder o ritmo de construção da tensão, misturando cenas de tirar o fôlego (literalmente) com momentos quase-filler melodramáticos - numa tentativa desesperada de comover o espectador - e full screens de mar aberto muito, muito feios, o filme peca em algo muito difícil de perdoar: a representação política da tragédia. Kursk deveria ser um filme essencialmente político, assim como a tragédia o foi. É verdade, o assunto é tocado (até porque caso contrário seria impossível concluir a narrativa se baseando nos acontecimentos), mas de forma extremamente superficial e de certa forma até perigosa no contexto sociopolítico atual onde cidadãos são vistos como peões de um grande jogo de xadrez manipulado por seus governantes, onde o preço de uma vida é infinitamente menor do que o lucro, as estratégias, os equipamentos, onde a militarização é crescente e as pessoas são pedaços descartáveis de um grande e opressor sistema. O filme poderia ter sido sobre isso - mais do que foi - mas colocou o foco em amores perdidos, amizades quebradas, e "como o governo russo é maldoso e nós, de outros países europeus, somos altruístas e jamais faríamos o que eles estão fazendo". É um filme bidimensional, quando poderia ter explorado muito mais camadas do que se propôs.



Ao menos dá pra se emocionar com as partes de família. Recomendo levar o pai pra assistir numa sexta à noite, se abraçar e aproveitar a pipoca.


"Kursk - A Última Missão" chega aos cinemas hoje, dia 09 de janeiro, com distribuição Paris Filmes.




NAVEGUE

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