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Crítica: “Little Fires Everywhere”


A Hulu já entendeu bem que combinar um material forte com um elenco de peso vai garantir repercussão independente de poupar esforços na divulgação ou do fato de sua plataforma ainda ter uma acessibilidade limitada ao redor do globo. E em um momentum em que a demanda por novos conteúdos de serviços de streamings aumentou, “Little Fires Everywhere” conseguiu impactar em 3 primeiros episódios e cativar o público para acompanhar o restante da trama semanalmente (uma escolha que chega a ser old school).

Baseada no livro homônimo de Celeste Ng, a série acompanha a dona de casa padrão Elena (Reese Witherspoon) e sua família (quase) perfeita tendo sua rotina abalada com a chegada de Mia (Kerry Washington), uma artista e mãe solo com um passado misterioso, e sua filha adolescente, Pearl, na pacata cidade de Shaker Heights.

O que começa parecendo ser mais uma reciclagem de clichês como “nenhuma família é perfeita” e “a grama do vizinho sempre é mais verde” consegue tirar o fôlego a cada plot twist. A ambientação nos anos 90 é um prato cheio de referencias e traz nostalgia para a trilha sonora.

Kerry Washington (“Scandal”) até entrega boas cenas, mas o maior destaque fica a cargo de Reese Witherspoon (Eterna Elle Woods). A progressão de sua personagem Elena consegue entrar em top 3 na carreira da atriz (talvez entre “Wild” e “Walk the Line”). Vale ressaltar também a participações especiais de AnnaSophia Robb como sua versão mais jovem em alguns episódios

O conjunto do elenco tem plena harmonia, dando bom tempo de tela para ótimos coadjuvantes interpretados por Joshua Jackson (também conhecido como Pacey de “Dawson’s Creek”), Rosemarie DeWitt (“United States of Tara”) e as novatas Jade Pettyjohn, Lexi Underwood e Megan Stott.

A construção de roteiro é brilhante, valendo prestar atenção em pequenos detalhes soltos em diálogos ou enquadramentos que podem se tornar conflitos importantes no futuro. Além de pequenas situações abrirem margem para apontar potentes críticas, como a latente pauta sobre a estruturação racista da sociedade.

Sem spoilers ou a intenção de desanimar, mas a resolução em si acaba sendo um pouco simplista após a montanha-russa de emoções ao longo dos capítulos. É uma vibe de minissérie como “Sharp Objects” e “Big Little Lies”, em que a narrativa é um mero plano de fundo para desenvolver personagens extremamente complexas.

São 8 episódios para processar e talvez até revisitar daqui um tempo, mas que de maneira alguma precisam de uma continuação (por mais lucrativo que isso possa soar). Mas bom avisar que “Little Fires Everywhere” pode conter potenciais gatilhos para os que estão mais sensíveis durante esse período de confinamento social.


NAVEGUE

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