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  • DARA

Crítica: Ted Bundy - A Irresistível Face do Mal



Ted Bundy foi um dos mais famosos e cruéis serial killers da história dos Estados Unidos, executado no final dos anos 80, na Flórida. Desde a época de seu julgamento, seu caso é um fenômeno midiático, pelo julgamento ter sido transmitido na televisão, e teve várias peculiaridades. Desde então, já perdi a conta de quantos filmes, documentários, episódios de séries, livros e matérias já vi sobre ele, mas nunca deixa de ser perturbador. 

O filme é relevante por pegar um ângulo diferente das obras já existentes: vemos Bundy de um outro ponto de vista, e quase que nos deixamos enganar por ele em alguns momentos que chegam a assustar. Vemos a história pelo ponto de vista de Liz (Lily Collins), com quem Bundy tem um relacionamento durante os anos em que cometeu a maioria dos crimes. Por quase toda a duração do filme, não há nenhuma cena ou evidência clara de que ele seja realmente culpado (é claro que, por ser um caso histórico, sabemos que ele é) e, em alguns momentos, é possível entender a dúvida sufocante sentida por todos os que estiveram ao redor dele. Nos sentimos na pele de Liz. Ted Bundy era um homem, aos olhos de todos, charmoso, inofensivo e comum. Estudioso e inteligente. Ter Zac Efron no papel foi uma escolha excelente para causar esse efeito, ainda falta profundidade em algumas questões de construção do personagem, que parece ir e vir, em alguns momentos pontuais, mas é em geral uma ótima performance. A narrativa é fluida e dinâmica, mas senti falta da presença dos anos em que ocorreram os crimes. A história se inicia quando Liz e Ted se conhecem e já pula direto para quando ele foi parado pela polícia pela primeira vez, não mostrando nada da construção da desconfiança de Liz.

Em alguns momentos, o filme fica leve demais, e acaba parecendo moralmente confuso, mas logo a ideia se restabelece. É um equilíbrio narrativo que se perdeu em alguns pequenos momentos e depois reencontrou o eixo. Mas no geral, essa construção de personagem e ambiência são interessantes.

Pela forma que se constrói a narrativa, é de se sair do cinema desconfiando de toda pessoa que cruzar por você na rua. A obra tem um tom estranhamente leve no início, que vai ficando densa e sufocante ao longo do tempo de uma forma que você não vê chegar. É a verdadeira compreensão sobre como o mais cruel dos males vive nos lugares mais inesperados. Ted Bundy aparentava ser o menino simpático da faculdade, o rapaz prestativo da vizinhança, e era um serial killer cruel e inescrupuloso. É difícil sair da sala vendo o mundo da mesma forma.




NAVEGUE

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