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Crítica: “Todxs Nós” (1ª Temporada)


Rafa (Clara Gallo) esta se entendendo dentro da identidade não-binária e como pansexual, mas não tem apoio ou respeito do seu pai no interior. Então decide fugir de casa rumo à capital, onde pede abrigo para seu primo gay assumido que divide apartamento com uma amiga.

A produção original da HBO Brasil é um daqueles projetos com ótimo material bruto, mas que não foi bem lapidado. Talvez pelo fato de ter sido criada por Vera Egito (“Me Chama de Bruna”), Heitor Dhalia (“Gone”) e Daniel Ribeiro (“Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”), que são excelentes profissionais, mas sem local de fala em vários dos conflitos da trama.

Mas o que faltou de diversidade na criação não deixa nada a desejar no elenco. Não são os melhores atores disponíveis no mercado, mas a variedade de corpos, etnias e identidades de gênero é apreciável. O que deveria ser um padrão, mas sabemos que esta longe de ser a realidade nacional.

O roteiro por muitas vezes peca por ser didático demais, a ponto de se tornar cansativo e pedante. E diálogos rasos ficam ainda mais evidentes em atuações bem medianas dos protagonistas. Julianna Gerais ainda traz certa profundidade para o arco da Maia, principalmente quando dá exemplos práticos da estruturação do racismo ou aborda o feminismo negro. Mas Kelner Macedo parece nem se esforçar para demonstrar simpatia em uma personagem que reproduz diversos discursos opressores disfarçadas de humor ácido de uma gay tóxica. E é difícil dar credibilidade para os dilemas de Rafa quando Clara Gallo entrega uma inexpressividade desgastante.

A trama traz algumas situações previsíveis com resoluções bem didáticas, o que é bom visto a necessidade de mastigar certos conceitos de gênero e sexualidade para um público leigo. Mas, em geral, partem de recortes sociais que estão bem distantes da realidade de uma maioria da população lgbtqia+ que é totalmente desprivilegiada. E isso não só enfraquece a mensagem que tentam passar como também perpetua alguns estereótipos negativos como o “gay promíscuo”, “adolescente prepotente” e a “militante inconsequente”.

Há também um podcast complementar no canal da HBO Brasil que desenvolve as temáticas de cada episódio em debates com convidados e lá surgem diversos apontamentos que poderiam enriquecer a narrativa se transformados em diálogos na série.

Vale a pena assistir, tanto para prestigiar uma boa produção nacional quanto pelo válido esforço de debater temáticas tão relevantes e, infelizmente, ainda vistas como tabu socialmente. Mas uma segunda temporada poderia repensar sua linguagem, até para conseguir furar outras bolhas e ser ainda mais representativa.


A 1ª Temporada de “Todxs Nós” já esta disponível no HBO Go: https://www.hbogo.com.br/content/b804e4cf-6c63-11ea-8120-0050569a010f

NAVEGUE

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