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Crítica: “Zoey's Extraordinary Playlist”


Após uma falha técnica em uma ressonância magnética, a programadora Zoey (Jane Levy) começa a ouvir os pensamentos das pessoas em forma de números musicais que acontecem na sua cabeça. A inusitada habilidade pode ser irritante enquanto ela não sabe controlar, mas também um dom para ajudar nos dilemas de seus amigos e familiares.

A dramédia da NBC usa de uma premissa que beira o absurdo para desenvolver diversos exercícios de empatia a cada episódio. E a escolha de uma linguagem de Teatro Musical não só se encaixou perfeitamente com a proposta como também foi extremamente bem executada (Chora Glee e Riverdale).

Afinal, diferente do imaginário popular de que as pessoas saem cantando e dançando do nada, a essência de um musical é exteriorizar com canto e dança os sentimentos que palavras não bastam para expressar.

E a playlist é realmente extraordinária, seja no uso mais clichê de músicas como “Bye Bye Bye” do NSYNC, “Should I Stay Or Should I Go” do The Clash e o tema do musical “Jesus Christ Superstar” ou ressignificando de forma genial clássicos como “I Wanna Dance With Somebody (Who Loves Me)” da Whitney Houston, “Feeling Good” da Nina Simone e “Say My Name” das Destiny’s Child.


Não fizeram mais do que a obrigação de escalar atores que cantam para uma série musical, mas infelizmente escassez dessa noção básica em Hollywood faz valer o biscoito aqui. E é precioso assistir momentos como Lorelai Gilmore (vulgo Lauren Graham) cantando “Roar” da Katy Perry para superar um relacionamento tóxico ou Peter Gallagher (eterno Sandy Cohen de “The O.C.”) aquecendo corações com “True Colors” da Cindy Lauper.

Mas que não se comparam aos números de atores com um currículo Broadway, como Skylar Astin (“Pitch Perfect”), Stephanie Styles (“Bonding”), Alice Lee (“Sierra Burgess is a Loser”), Alex Newell (repetindo seu plot de “Glee”) e as participações especiais de ícones como Renée Elise Goldsberry (“Hamilton”) e Bernadette Peters (“Mozart in the Jungle”).

Jane Levy (“Suburgatory”) pode não ser a melhor cantora para estrelar uma série musical, mas como atriz é a escolha ideal para o papel. O arco de sua personagem vai de certa antipatia no começo para uma sensível jornada de autodescoberta e amadurecimento. Seus conflitos amorosos e profissionais são de fácil identificação para toda uma geração que é o público alvo da série.

Uma curiosidade sobre a série é que o plot do pai da Zoey é baseado na experiência do criador Austin Winsberg com a disfunção cerebral de seu pai. É extremamente tocante assistir cenas em que a Zoey usa seu dom para se comunicar com o pai que perdeu funções motoras e ainda tem total percepção de tudo em volta.

Uma audiência não muito expressiva e todo o atual cenário do entretenimento em meio à pandemia de COVID-19 podem não garantir uma segunda temporada tão cedo, mas os 12 episódios da primeira temporada conseguem fechar uma boa narrativa com uma montanha-russa de emoções e reflexões.



NAVEGUE

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