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ESPECIAL OSCAR 2020 - MELHOR FIGURINO E EFEITOS VISUAIS


CATEGORIA MELHOR FIGURINO

por Dara Galvão


Essa é uma categoria difícil de decifrar, mas uma coisa é clara: a Academia ama um figurino de época. Infelizmente, dessa vez, não poderei fazer parte da resistência e já declaro que meu favorito é nada menos que: Little Women


Todos os indicados merecem a indicação, e são verdadeiras obras de arte, mas o figurino em Little Women é pura poesia.  



O filme, que retrata as vidas cotidianas e suas grandes alegrias e angústias das irmãs March no final do século 19. É uma obra sobre descoberta, sobre ser mulher naquela época e, em muitos aspectos, na nossa época também, e sobre família. Beth, Meg, Amy e Jo são extremamente diferentes dentro de um ambiente e amor compartilhados, e o figurino ilustra perfeitamente a imagem que tive na cabeça a vida inteira sobre essas personagens tão presentes no meu imaginário. Cada uma das irmãs teve sua paleta de cores definida para espelhar quem elas são, assim como cada detalhe de suas vestimentas, e funcionou perfeitamente. Da falta de um corset no figurino de Jo, cuja ambição é a liberdade no não conformismo à minunciosidade artística dos vestidos da artista visual e ambiciosa Amy, cada imagem atribuída às personagens ressoa em suas personalidades marcantes e significativas. O filme em si parece uma pintura, idílica e histórica, que traz luz e magia à vida cotidiana da família March. 



Dentre os outros indicados, meu favorito é JoJo Rabbit, pela inteligência na transformação do imaginário popular sombrio da Segunda Guerra no imaginário infantil do protagonista, através do uso de cor e escolhas inusitadas, que transforma o filme numa obra muito dinâmica e vibrante. 


Coringa também foi um ótimo trabalho, em todos os aspectos, e o figurino não ficou pra trás. Também com um uso interessante da paleta de cor do personagem, a transição de comediante a louco representada no figurino é muito notável e interessante. Proporciona ao personagem um arco de consistência e deterioração ao mesmo tempo. 


Once Upon A Time... in Hollywood não me surpreendeu enormemente, e O Irlandês também não. Ambos são bons, esteticamente interessantes e sem grandes falhas, mas também sem grandes surpresas. Deixo um elogio especifico ao Irlandês, pelo trabalho muito consistente em demonstrar a passagem do tempo, que ficou ainda mais evidenciada pelo figurino bem estudado e reproduzido. 



CATEGORIA MELHORES EFEITOS VISUAIS

por Alexandre Ferraz


Vingadores: Ultimato (Avengers: Endgame)

Indicados: Dan DeLeeuw, Russell Earl, Matt Aitken and Dan Sudick



Surpreende um total de zero pessoas a presença do capítulo final de uma das franquias mais caras e mais rentáveis da história do cinema nessa categoria. A Marvel marca presença quase que anualmente na categoria para efeitos visuais da premiação da Academia e com Ultimato não é diferente. Com o tamanho investimento que o estúdio trouxe para este filme, era óbvio que os efeitos visuais seriam incríveis, afinal são A referência no mercado, sendo necessárias diversas equipes, muito maiores do que de produções usuais, para a composição de cada mínimo efeito de imagem que vemos nas telas. E, no caso, essas produções dependem completamente desse departamento. Há sequências de ação longas e complexas, diversos cenários fantásticos diferentes e vários dos protagonistas aqui são compostos digitalmente, sendo a captura de movimento muito utilizada, como nos casos de Hulk, Rocky e Thanos. Até as armaduras/uniformes do Homem de Ferro e do Homem-Aranha são frutos vfx, algo que gera muitas discussões sobre como esses blockbusters se apoiam tanto nos efeitos e acabam por ignorar certas práticas que fazem parte do cinema desde a sua criação.

Vingadores: Ultimato tem chances de ganhar pois seria uma celebração da indústria, o que o Oscar é, ao seu maior símbolo nos últimos anos em questão de rentabilidade e popularidade. Fica a dúvida se a reclamação sobre as cópias mal finalizadas do relançamento do filme com cenas inéditas vai ficar na cabeça dos votantes ou não.


O Irlandês (The Irishman)

Indicados: Pablo Helman, Leandro Estebecorena, Nelson Sepulveda-Fauser and Stephane Grabli



Aqui temos um embate curioso seguindo a polêmica de Scorsese X Marvel. Mesmo tendo feito as declarações dizendo que os filmes no estilo desses recentes de super-heróis não seriam cinema e sim um parque de diversões, o consagrado cineasta está longe de ser um conservador no quesito de tecnologia no cinema. Ele explorou o 3D em A Invenção de Hugo Cabret (2011) e agora traz um filme que, assim como Vingadores, só que de um jeito completamente diferente, não existiria sem os efeitos visuais.

Em O Irlandês, é usada uma técnica de rejuvenescimento digital para não recorrer a outros atores que interpretem Robert De Niro, Al Pacino e Joe Pesci em fases mais jovens da vida, um trabalho que, convenhamos, seria ingrato aos atores mais novos. Não é a primeira produção a fazer isso, já o vimos em filmes de grande porte inclusive com atores já falecidos, vide os últimos Star Wars, mas é o primeiro filme “não pirotécnico” que chama a atenção por apostar nessa tecnologia de forma tão presente.

Também usada para outros personagens do elenco, a técnica chama um pouco de atenção no início do filme, afinal, não estamos acostumados a ver De Niro sem nenhuma ruga no rosto atualmente, mas desaparece completamente à medida em que ele se desenrola. E esse é o grande mérito dos efeitos visuais de Irishman. Levou um bom tempo para atingir uma captação que suprimisse as famosas “bolas de tênis” ou diversos pontos coloridos na cara dos atores - algo que complicaria muito a atuação principalmente para atores de outra geração - até chegar no desenvolvimento dos pontos bem mais discretos e da gravação das cenas com três câmeras, de modo a captar as diferentes faces dos atores enquanto atuavam.

A aplicação dos efeitos visuais neste filme é sutil e por isso notável, fomentando algo que pode ser a próxima revolução no cinema, por mais assustador que possa parecer imaginar ver Audrey Hepburn atuando novamente ou um lançamento de um musical com Elvis Presley. Enfim, mesmo não tendo o dinheiro de estúdios como a Disney, O Irlandês seria um merecido e interessante vencedor para essa categoria.


O Rei Leão (The Lion King)

Indicados: Robert Legato, Adam Valdez, Andrew R. Jones and Elliot Newman



Falando em Disney, o estúdio domina a categoria nesse ano e tem no remake live action só que não de O Rei Leão um candidato que está no páreo para levar o prêmio. O filme levou os principais prêmios no VES Awards, prêmio da sociedade de efeitos visuais, e isso valida o poderio técnico da produção.

Por outro lado, tratando-se de blockbusters, todos meio que ficam no mesmo patamar por terem a seu dispor as melhores tecnologias disponíveis e, assim, os critérios de escolha podem passar a ser outros. A popularidade e a qualidade do filme num geral pode ser um deles. O Rei Leão de 2019 agradou o grande público, trouxe de volta muita nostalgia boa, mas não foi muito além disso. Faltou ao filme uma originalidade e ousadia para fazer algo diferente do seu material base tão amado, algo que o filme anterior do diretor Jon Favreu nessa mesma linha, Mogli - O Menino Lobo (2016), conseguiu atingir, resultando na estatueta de melhores efeitos visuais em seu ano. Além disso, os próprios efeitos receberam certas críticas também. Algumas pessoas não gostaram muito da proposta de colocar animais realistas cantando e os movimentos das bocas dos personagens chegaram a chamar atenção por isso.

É inegável que os efeitos do filme são bons, por isso chegou a ser indicado à categoria de melhor animação no Globo de Ouro. As paisagens e, bocas à parte, os animais apresentam uma verossimilhança incrível, porém podem não ser o suficiente para superar os outros indicados.


Star Wars: A Ascenção Skywalker (Star Wars: The Rise of Skywalker)

Indicados: Roger Guyett, Neal Scanlan, Patrick Tubach and Dominic Tuohy


Continuando na casa do Mickey - e com decepções - temos o 9o episódio da saga Star Wars na concorrência. Só que, ao passo que para O Rei Leão a palavra "decepção" pode ser demais visto a popularidade do filme, ela parece ser justa para definir A Ascenção Skywalker. Seguindo enormes expectativas, o filme trouxe diversas escolhas de narrativa que desagradaram muitos fãs e geraram polêmica. Isso tirou a força do deslumbre com os efeitos, que, novamente, são top de linha, e faz com a que a presença deste filme na categoria seja meramente participativa.


1917

Indicados: Guillaume Rocheron, Greg Butler and Dominic Tuohy


O queridinho das premiações vem chamando mais atenção em outras categorias, mas não deve ser ignorado por aqui. 1917 se aproxima mais de Irishman do que dos outros blockbusters no sentido do uso que faz dos efeitos. Não é um filme que te lembra de exercer muito essas técnicas, mas isso é ilusão e é o que coloca a produção no páreo para levar esta categoria, mesmo que não figure como favorita. Hoje em dia é possível dizer que quase todos os filmes fazem uso de efeitos visuais, não é necessário milhões de dólares para tanto, e filmes de guerra costumam precisar bastante deles. No longa de Sam Mendes, lembramos de cenas mais óbvias como as do avião e do protagonista no rio, mas, seguramente, efeitos são aplicados em muitos outros momentos que nem conseguimos perceber, seja para ajudar a montagem a simular o plano-sequência, para contribuir na ambientação da época ou em compor as cenas de ação com tiros e explosões.

NAVEGUE

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