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ESPECIAL OSCAR 2020 - Melhor Filme, Diretor, Animação e Filme Estrangeiro

CATEGORIA MELHOR FILME

Por Mariana Matanó


Ah, o Melhor Filme. Categoria mais disputada e aguardada do Oscar, ano após ano recheada de filmes feitos para ter dó de gente branca. Em 2020 não foi diferente – ao contrário, para o fim de uma década de luta pela representatividade tão intensa e ano tão cheio de filmes deliciosos com tantos e tantos perfis, apresenta candidatos em sua maioria claros como uma sulfite A4 e pouquíssimas personagens femininas de destaque. Além disso, são poucos os filmes realmente espetaculares da categoria - aprendemos a nos contentar com o mediano e é o mediano que teremos -, mas os que são realmente bons é difícil contestar.

Quem deveria ganhar: Parasita (Bong Joon-ho, Coréia do Sul)

Quem vai ganhar: 1917 (Sam Mendes, UK/US)


“1917”, de Sam Mendes

★★★☆☆

Começamos com 1917, um dos favoritos do público. Dividido em dois planos-sequência, o filme encanta pela direção cuidadosa e elenco querido – mas é só isso. Embora bem trabalhado em técnica e atmosfera, é um filme completamente sem alma ou carisma. Bonito, mas monótono – vale assistir uma vez pela experiência (no cinema!) e nunca mais. Não me peça pra sentir pena de soldado em guerra.


“Adoráveis Mulheres” (“Little Women”), de Greta Gerwig

★★★★☆

E vamos de filme injustiçado. Apesar das pouquíssimas indicações e do fato de Greta Gerwig ter sido completamente esnobada como diretora, o filme é delicioso. Inspirado em Little Women, livro de Louisa May Alcott publicado em 1868, é um coming of age de época que conta com elenco impecável - Saoirse Ronan, Laura Dern, Emma Watson, Florence Pugh, Timothée Chalamet, Louis Garrel e absolutamente todos os brancos que amamos incondicionalmente (Wes Anderson conseguiu uma forte competidora). Ainda que não tenha recorte racial e caia um pouquinho no poço do feminismo branco é um filme importante, fofo, esteticamente belíssimo, bem-dirigido, com final muito bem construído e capaz de fazer até pedra chorar.


“Coringa” (“Joker”), de Todd Phillips

★★★☆☆

Quando Deus me colocou para assistir o Coringa, senti que estava sendo testada. Eu olhava para a tela incrédula e pensava: não é possível que esse filme de #críticasocialfoda esteja sendo considerado pela crítica como o ápice da politização no cinema. Há que se admitir: a interpretação de Joaquin Phoenix é ótima e fotografia e direção de arte estão de parabéns, mas será que é o suficiente para sustentar o melhor filme do ano? Complicado, considerando que a história não tem bases sólidas e absolutamente nenhum dos personagens é bem construído. Senti que tudo foi jogado na tela para mostrar, de maneira forçada, o quanto um “filme de herói” pode ser profundo – só que não foi. Se eu quisesse violência justificada de boa qualidade tinha ido assistir Bacurau duas vezes.


“O Irlandês” (“The Irishman”), de Martin Scorsese

★★★★☆

Um filme de quatro horas de duração não é o que eu queria e muito menos o que eu precisava, mas Scorsese mais uma vez mostrou a que veio. O Irlandês é um filme difícil se assistido como filme e talvez fosse mais palatável como série – duvido que qualquer pessoa que tenha assistido fora do cinema não o tenha pausado em algum momento e, ao mesmo tempo, gostaria de ter visto mais – mas de qualquer maneira é muito bem dirigido e conta com atuações impecáveis de mestres do cinema (importante mencionar Joe Pesci, que saiu de uma década de aposentadoria e entregou a melhor performance do filme). O formato pode ter sido uma escolha infeliz e é difícil que se popularize fora dos círculos cinéfilos, mas o conteúdo é extremamente bem executado.


“Parasita” (“기생충”), de Bong Joon-ho

★★★★★

Sim, Parasita é uma bomba. Misturando humor, crítica e suspense na medida certa se explodiu entre a população, se explodiu entre os críticos, se explodiu em Cannes e levou consigo a Palme D’Or, e está pronto para explodir também a Academia – mas, muito provavelmente, não no prêmio principal. Embora seja o meu (e de uma legião de outros) favorito da temporada e tenha direção, atuação e roteiro absolutamente impecáveis, imagino que tenha sido colocado em ambas as categorias Melhor Filme e Melhor Filme Estrangeiro para dar a chance de algum americano levar a estatueta e ainda assim não decepcionar o público. Uma pena, já que dá uma aula de cinematografia e política (você está ouvindo, Coringa? Por favor, não chore).


“Ford v Ferrari”, de James Mangold

★★★☆☆

Me surpreendi em ter gostado de Ford v Ferrari o suficiente para dar uma nota média e, na verdade, acabei gostando dele mais do que de outros concorrentes – o que não significa, em nenhum momento, que seja um filme bom. É bem bonito, é divertido, tem toques de humor impressionantes, mas ainda é um filme sobre carros para homens héteros e, em muitos momentos, se mostra chato e fácil de se perder o interesse. Speed Racer (2008) merecia ocupar esse lugar e ganhar esse prêmio.


“História de um Casamento” (“Marriage Story”), de Noah Baumbach

★★★☆☆

Eu sou fã de Noah Baumbach. Ele e Greta são meu casal favorito do cinema, seus filmes são o sol de meus dias e nutro por ele admiração sem limites – ao menos até encontrar História de um Casamento. Não digo que é um filme ruim; digo que esperava mais. Talvez eu tenha me decepcionado por conta das expectativas altas, talvez tenha achado tudo um pouco bagunçado demais, talvez tenha me irritado com a cena de briga horrorosa dentro e fora de contexto, talvez tenha me perguntado vezes demais se estava gostando ou não do filme: no fim, saí com um gosto agridoce. É um bom filme, mas esperava um pouco mais.


“Jojo Rabbit”, de Taika Waititi

★★★☆☆

Não entendo muito bem como esse filme veio parar aqui. Me parece parte sem propósito, parte sem-graça (o que é chocante, já que considero Taika um mestre do humor). É um filme fofo, as crianças são tudo, mas se não tivesse assistido também não sentiria falta. Sinto também que todos os acontecimentos eram um pouco “jogados” em cena, nada foi muito bem construído. É um filme leve, para assistir em sleepover e tirar a importância de um acontecimento histórico extremamente violento. Alguém consegue me explicar o porquê de Scarlett Johansson ter sido indicada como melhor atriz coadjuvante por esse papel?


“Era Uma Vez... Em Hollywood” (“Once Upon a Time... In Hollywood”), de Quentin Tarantino

★★★☆☆

Entre os filmes medianos, recebemos o primeiro Tarantino que não parece um Tarantino. Embora o roteiro seja bom, tudo é um pouco longo demais e lento demais. Não é bom, não é ruim, definitivamente não é um Tarantino – mas pelo menos as atuações são digníssimas e o Brad Pitt continua muito bonito.




CATEGORIA MELHOR DIRETOR

Por Mariana Matanó


A categoria Melhor Diretor surpreendeu somente ao deixar de nomear Greta Gerwig e seu trabalho impressionante em Adoráveis Mulheres, mas trouxe nomes importantes para a história do cinema e honestamente merecedores do prêmio. Em 2020, muitos dos diretores indicados mudaram radicalmente sua linha de trabalho e isso trouxe consequências – boas ou ruins.

Quem deveria ganhar: Bong Joon-ho (Parasita)

Quem vai ganhar: Sam Mendes (1917)


Bong Joon-ho por “Parasita” (“기생충”)

Um dos nomes mais aclamados do cinema sul-coreano, Bong Joon-ho é um mestre da direção e entregou um de seus melhores trabalhos com Parasita. Conseguiu prender o público e executou perfeitamente a transição da atmosfera cômica para o suspense sem deixar a bola cair. Há que se mencionar a cena, no fim do filme, na qual os donos da casa chegam e a família tem que arrumar a casa e fingir que lá nunca estiveram – impossível assistir sem perder o fôlego.


Martin Scorsese por “O Irlandês” (“The Irishman”)

Me dói admitir que Martin Scorsese é um gênio da sétima arte - prepotente e de certa forma conservador, mas muito bom no que faz. Embora tenha feito algumas escolhas infelizes na direção de O Irlandês (por que não é uma série? Por que não foi feito um recorte menor? Por que você quer vender seus filmes para velhos chatos e prepotentes que nem você e torna-los inacessíveis para o público geral?), é impossível dizer que não foi um trabalho bem feito. Comecei o filme pensando em como era terrível ter que assistir quatro horas de um filme de idosos brancos colocando o pau na mesa, mas a escolha de planos e composição geral de cena me fizeram engolir a língua e travar a respiração por puro deleite em vários momentos. Embora creia que não vá ganhar, não reclamaria da vitória.


Quentin Tarantino por “Era Uma Vez... Em Hollywood” (“Once Upon a Time... In Hollywood”)

Tarantino tentou, em Era Uma Vez Em Hollywood, uma fórmula nova e diferente de seus filmes antigos. Não funcionou. É hora de pedir o patrocínio da Hellmann’s outra vez e fazer estoque de ketchup para o próximo.


Sam Mendes por “1917”

Embora 1917 seja um filme entediante, o aspecto técnico é impressionante e isso se dá, principalmente, pela direção. Embora creia que a escolha de trazer dois planos-sequência tenha contribuído para deixar o filme monótono no fim das contas, admiro o trabalho e a dedicação com a qual Sam Mendes bancou essa escolha e reconheço que houveram planos bem interessantes.


Todd Philips por “Coringa” (“Joker”)

Embora Coringa seja um dos favoritos do público nessa temporada, é um filme consideravelmente pior do que os outros e Todd Philips talvez devesse ter continuado com os filmes de comédia.




CATEGORIA MELHOR ANIMAÇÃO

Por Elaine Marinho

“Klaus”, de Sergio Pablos

Essa é uma das animações que me anima por fazer parte da lista de animações com mensagens super relevantes e fora do padrão. Todo segundo é uma surpresa na história, na estética e nos personagens. Acima de tudo o que me chamou mais atenção foi a mensagem super necessária sobre alguém que precisa encarar as responsabilidades mesmo tendo uma vida privilegiada, além de mostrar como é a dura realidade do mundo fora de casa. Esse filme definitivamente é pra todas as idades e isso torna ele mais especial. A estética do filme é super interessante, fugindo do padrão contemporâneo da maioria das animações e chegando a dar uma relembrada calorosa e nostálgica dos maiores clássicos de animação (Anastacia e Cia.). Um outro ponto super positivo e interessante é a escolha da imagem de um papai noel diferente, mais próximo do humano e menos romantizada e clichê. Essa obra, pra mim, poderia ser a vencedora dessa categoria, mas não posso deixar de lembrar que já tenho um favorito.


“Perdi meu Corpo” (“J'ai perdu mon corps”), de Jérémy Clapin

Esse é o filme mais assustador dessa categoria. Sem dúvidas é uma animação que explora um ar mórbido, meio triste e trágico. Eu diria: tirem as crianças da sala!! As primeiras cenas já mostram de forma super explícita essa vibe bizarra e trágica que o filme tem, contando a história de uma mão decepada e suas aventuras pra conseguir sobreviver. Confesso que muitas das cenas foram difíceis de ver e que eu não consegui ver o filme até o final, porque achei super cansativo e meio violento. As cenas que mais me chocaram foram as iniciais (principalmente a cena que a mão acidentalmente mata um passarinho pelo pescoço) e isso me fez perder interesse. Não consegui ainda pensar em tantas coisas positivas sobre essa animação a não ser a reflexão que fiz sobre a gratidão de ter minhas duas mãos.


“Link Perdido” (“Missing Link"), de Chris Butler

Esse tipo de animação é um dos meus favoritos, porque envolve conhecimentos científicos que eu provavelmente não sabia nada sobre antes de assistir. É o tipo de filme que você aprende várias coisas interessantes sobre biologia, geografia, história de um jeito super leve e aventureiro. Além disso, o filme transporta o espectador pra vários lugares incríveis ao redor do mundo, explorando imagens lindas. Uma das principais coisas que me deixou feliz em relação a esse filme é a forma abrangente de conversar com públicos de várias idades. No entanto, o fraco do filme é a mensagem, já que o investimento principal claramente é a aventura e a imagem.


“Como Treinar o Seu Dragão 3: O Mundo Escondido” (“How to Train Your Dragon: The Hidden World”), de Dean DeBlois

Essa franquia de animação veio conquistando a cada filme e série lançada. Todo mundo passou a querer ter um Banguela (já imaginou a quantidade de pet com esse nome?). Pois é, tem sido realmente apaixonante e envolvente. Para os que acompanham desde o início um dos pontos mais altos desse filme é, sem dúvida, o processo de amadurecimento do personagem principal em meio a tantos desafios, descobertas e crescimentos. Não tem como falar do terceiro e último filme da franquia sem falar da fofura da paixão do Banguela por Fúria da Luz e todo o efeito visual que chama a atenção naturalmente. Para os fãs, é impossível não se emocionar com os flashbacks e costuras da finalização dessa história com toda a história que já foi contada. Um belo final.


“Toy Story 4”, de Josh Cooley

Eu sou completamente suspeita pra falar da minha animação favorita de todos os tempos. Confesso que poderia passar minha vida inteira assistindo essa franquia e jamais deixaria de me emocionar. É impressionante como esse clássico dono da canção "Amigo Estou Aqui" sempre tem história pra contar. Nesse quarto filme, Woody perde o protagonismo de forma inesperada e surpreendente, fazendo com que nosso personagem principal entre numa busca de autoconhecimento. Um dos pontos mais altos da animação é o equilíbrio do uso do cômico em situações mais sérias, causando aquela identificação do jeitinho que a franquia Toy Story sabe fazer. Ah, e como toda boa feminista, não posso deixar de lado a cereja desse bolo delicioso que é o comando de uma personagem mulher incrível e antes não tão explorada: Betty (Who run the world?). Bem, não preciso dizer que já tenho um favorito, né?



CATEGORIA MELHOR FILME ESTRANGEIRO

Por Mariana Matanó



Finalmente os refrescos. Entre tantas categorias de filmes medíocres, esbarramos em uma recheada de excelência. É verdade: um concorrente é superior aos outros e colocá-lo nessa categoria é tirar o foco de obras que também merecem estatuetas - mais do que alguns dos nomes na corrida pela ‘Best Picture’, inclusive - e outros filmes aclamados internacionalmente também deveriam ter sido enviados (Bacurau? Retrato de uma Jovem em Chamas? A Vida Invisível? Synonymes? Injustiçadíssimos.), mas devemos lembrar que o Oscar é praticamente um festival de cinema local onde, infelizmente, qualidade não necessariamente fala mais alto.


Quem vai ganhar: Parasita

Quem deveria ganhar: Dor e Glória (numa disputa acirrada com todos os outros concorrentes)


“Parasita” (“기생충”), de Bong Joon-ho (Coréia do Sul)

★★★★★

De execução invejável, direção de tirar o fôlego e mistura de humor e tragédia no ponto certo, o filme de Bong Joon-ho é o favorito da temporada, ofusca facilmente os outros indicados e provavelmente ganhará a categoria. Num mundo ideal receberia o prêmio de Melhor Filme e deixaria o Estrangeiro para algum dos outros concorrentes, mas o prêmio de consolação é o mínimo que deverá receber.


"Honeyland" ("Medena Zemja"), de Ljubomir Stefanov e Tamara Kotevska (Macedônia do Norte)

★★★☆☆

Custei a acreditar que era um documentário e não um filme de ficção milimetricamente construído - a câmera sempre no lugar certo, na hora certa; a atmosfera intimista; o desenvolvimento da história e seus ‘personagens’ trazem o espectador pra dentro do filme de forma muito bonita. Retrato impactante sobre trabalho, sustentabilidade, ganância e capitalismo, de certa forma. Não tem chances de ganhar na categoria, mas torço fortemente que consiga o prêmio de Melhor Documentário.


Os Miseráveis ("Les Misérables"), de Ladj Ly (França)

★★★★☆

Baseado no curta de mesmo nome - também dirigido por Ladj Ly, em 2017 -, o filme é retrato urgente e impactante da pobreza, violência policial e negligência governamental dos subúrbios franceses. Ainda que se trate de um acontecimento de nicho, reconhecemos os conflitos expostos também na realidade brasileira e, embora tenha críticas em relação à cinematografia e estética geral do filme (o final, em específico, é um pouco cafona), é um de meus favoritos do ano.

(Em tempo: ganhou o Prêmio do Júri em Cannes, empatado com Bacurau. Me dói um pouco pensar que o filme de Kleber Mendonça Filho poderia tranquilamente estar entre os indicados se tivesse sido escolhido no lugar de A Vida Invisível, mas em algum momento terei que superar).

"Dor e Glória" ("Dolor y Gloria"), de Pedro Almodóvar (Espanha)

★★★★★

O romance homossexual. A fotografia. A direção de arte. Os pequenos intervalos de animação. O gosto agridoce que sobra no final. Dor e Glória é um filme impecável e extremamente pessoal - embora Almodóvar diga o contrário -, intenso, profundamente doloroso e, acima de tudo, belíssimo. Chega como abraço e tapa, reflexão sobre a passagem do tempo que, com garantia, prende o espectador do início ao fim. Antônio Banderas entrega uma das melhores performances de sua carreira e o fato de que muito provavelmente será esnobado na categoria de Melhor Ator é mais um dos motivos pelos quais gostaria de cancelar o Oscar 2020 (alguém disposto a assinar minha petição?).


"Corpus Christi" ("Boże Ciało"), de Jan Komasa (Polônia)

Esse foi o único filme que não consegui encontrar para assistir antes da premiação - a distribuição foi exclusiva para festivais específicos e não houve nem mesmo um torrent que me salvasse. Ainda assim, o trailer mostra domínio excelente de fotografia e sinopse interessantíssima. Entre os filmes ainda não lançados no Brasil é o que mais tenho vontade de assistir - afinal, depois de Andrew Scott em Fleabag, quem resiste a um padre gostoso com passado conturbado e conflitos pesados?

NAVEGUE

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