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  • Elá Marinho

O Poço - Crítica

Texto de: Elá Marinho e Dara Galvão



O POÇO é um suspense distópico espanhol de revirar o estômago, que nos deixa frente à frente com a nossa própria desumanização e degradação. O longa é situado em uma prisão chamada de “Centro Vertical de Autogestão” ou simplesmente de “O Poço”. O protagonista, Goreng (Ivan Massagué), foi até lá voluntariamente procurando parar de fumar e, ao final de sua estadia, receber um certificado. Ao chegar, acorda no nível 48 e conhece Trimagasi (Zorion Eguileor), com quem divide a cela. Ou melhor, o andar. O homem explica para Goreng que, ao final de cada mês, eles serão realocados e que nem todos os lugares são tão “bons” quanto aquele. A única alimentação que terão acontece uma vez por dia, quando um banquete preparado no andar 0 chega até eles depois de passar por 47 andares. 94 pessoas já teriam se alimentado desse mesmo banquete quando eles recebessem os restos, e os passassem adiante. Para Trimagasi a situação é clara “Existem três tipos de pessoas. As de cima, as de baixo e as que caem” E ele não está nada interessado em ser uma das que cai. Os que estão em cima sem se importar com o que acontecerá com os de baixo, abusam de seus privilégios. Quando estão embaixo, enlouquecem e brutalmente se alimentam uns dos outros, ou pulam, ou morrem de fome. Os que voltam para os andares acima perpetuam o ciclo, sempre se vitimizando na realidade de que, mês que vem, poderão estar abaixo novamente e, por isso, devem esbanjar de seu banquete desesperadamente.


Para o diretor, Galder Gaztelu-Urrutia, “O Poço” tinha que mostrar como destruímos uns aos outros, e o que fazemos com os recursos que recebemos. Do ponto de vista da mensagem, o filme é genial. Retrata perfeitamente a podridão da humanidade. A falta de empatia, a dificuldade de nos colocarmos no lugar do outro e de sermos altruístas. Nós destruímos tudo, somente por sermos egoístas.

Dito isso, os recursos de cinema gore utilizados na obra chegam a ser intragáveis, como a realidade retratada. É um espelho da sociedade. Embora efetivos, tornam o filme menos acessível. É difícil chegar até o fim. Revira o estômago, causa ansiedade, e muita vontade de sair correndo. Talvez, se fosse mais atenuada, a mensagem chegasse à um público mais amplo. Mas, por outro lado, talvez ela nem sequer sobrevivesse. É uma das eternas reflexões causadas pela obra, que pulsará por muito tempo.



NAVEGUE

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