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POR QUE INCOMODAMOS TANTO?

Eu fui criada por uma família que desde quando eu era pequenininha me ensinou meu valor, meus direitos e que eu podia sim ser uma super-heroína se eu quisesse. Nasci nos anos 90, onde ainda não imaginávamos que um dia teriamos filmes de super-heróis com mulheres sendo as protagonistas e salvadoras da pátria. “Ah, mas Carol, elas existiam nos quadrinhos” - sim, de uma forma hiper-sexualizada, que mais servia pra satisfazer os desejos dos garotos e homens que liam as comics do que inspirar uma geração de meninas que hoje em dia lutam por seus direitos nas ruas das grandes capitais, em meio a guerras e governos machistas.


A minha geração de meninas geek cresceu fazendo cosplay de personagens masculinos ou de mulheres que lutavam com a virilha aparente, de salto e com os seios quase saltando do uniforme.


“Meu corpo, minhas regras” se eu quiser posso sim sair da maneira descrita acima, mas não é o caso, no caso essa era a unica imagem das guerreiras nos quadrinhos, as outras mulheres eram damas indefesas que precisavam de um super-herói para a vida delas ter sentido e elas conseguirem sobreviver nesse mundo cruel.


A imagem abaixo me trouxe profunda alegria e emoção. E acho que ela fala por si só.


Como de costume, estava na sessão da 00:00 de Capitã Marvel, o primeiro filme com protagonista feminina da Marvel Studios. Fiz cosplay improvisado, me emocionei com o tanto de mulheres incriveis estavam ali ansiosas por esse momento (mesma coisa que ocorreu quando assisti Mulher Maravilha, mas esse não é exatamente o ponto desse texto).


Ao final do filme, como de costume, a sala lotada aguarda pelas famosas cenas pós-créditos do estúdio. Eu estava energizada, impactada e me sentindo empoderada por aquele filme. Pela sala inteira se ouviam comentários positivos, até que ocorreu o que me irritou profundamente e foi meu impulso pra escrever esse texto.

À minha direita estavam sentados 4 homens, aqueles que cresceram sendo representados nas capas dos quadrinhos e vendo as mulheres como seres indefesos ou guerreiras sensuais, eles estavam inconformados.

Ouvi comentários do tipo “Como pode? Foi isso que esperamos?” E “Ah tá que ela vai derrotar o Thanos (vilão, pra quem não sabe)”, além de risadinhas cínicas, claramente incomodados com o filme.


Meu primeiro sentimento foi querer virar pra eles e falar um monte de coisas, mas ai entendi, não ia adiantar.


Nós incomodamos.

Incomoda ver que no fim quem vai salvar o universo é uma mulher. Uma mulher que luta sozinha, que mesmo com todo o machismo virou pilota da força aérea americana, que não tem nenhum par romântico no filme.

Incomoda ver um filme em que os homens aparecem como coadjuvantes e quem lidera são mulheres incriveis, incluindo uma militar negra.


Incomoda Brie Larson não ter o corpo de Scarlett Johansson e Scarlett Johansson não aparecer semi-nua nos filmes.


Incomodam guerreiras africanas e carecas vencendo um exército masculino e lutando lado a lado com os homens, COMO IGUAIS.


Incomodam Fridas, Hermiones, Katnisses, Moanas, Marielles, Meryls, Violas, Leias, Daeneryses, Bries e Scarletts.


A mulher empoderada, que luta e sabe seu lugar na sociedade incomoda.


E infelizmente é por isso que diariamente somos caladas. Os números são assustadores.


Um professor meu disse sobre filmes “as pequenas ações e detalhes são importantíssimos” e eu digo que isso vale pra vida real também.


É importante uma mulher ser a peça chave de uma história de heróis. É importante fazermos cada vez mais filmes que mostrem a luta das mulheres. Foi importante um filme sobre menstruação ganhar um Oscar. É importante mostrarmos que podemos ser Mary Janes, mas somos todas Tempestades. E eu usei a mutante como exemplo propositalmente. Nós somos tempestade.


Seu discurso de ódio não vai nos deter. Lutamos pelos nossos direitos diariamente, desde que o mundo é mundo. Somos guerreiras, somos MULHERES. Com orgulho.


E estamos aqui pra incomodar com a nossa capacidade, nosso talento, nossa maternidade, nossos altos cargos, nossos protagonismos, nossas vitórias. E um dia vamos conseguir o que queremos: igualdade. Um mundo onde não veremos nossas irmãs morrendo e sendo estupradas, mas veremos todas vencendo Thanos, juntas e por um mundo melhor.


Obrigada, Capitã Marvel e todas as heroínas da vida real por incomodarem. Vocês fazem parte do nosso futuro, que eu tenho esperanças, será muito melhor que o nosso presente.


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NAVEGUE

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