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Robert Pattinson: O próximo Batman é mais que “o vampiro que brilha” de Crepúsculo



Quem escreve esse texto não é a minha versão de 10 anos atrás com pôsteres de Twilight pelo quarto e um encarte em tamanho real do Edward com a Bella. Mas sim quem teve a saga Crepúsculo como porta de entrada para consumir literatura e novas referências cinematográficas, e com isso criou bagagem para hoje poder julgar a qualidade técnica desse fenômeno adolescente (e ter licença poética para sentir um pouco de vergonha alheia).


Muitos precisaram secar as lágrimas da cena da morte de Cedric Diggory em “Harry Potter e o Cálice de Fogo” antes de entrar no movimento de hate á Robert Pattinson. Teve até abaixo assinado de fãs do livro para que o estúdio trocasse o ator, isso antes mesmo das filmagens começarem.


Mas logo o mundo todo estava falando de Edward Cullen. Quem não queria levar uma mordida do vampiro, queria deixar claro o quanto o abominava (lá no fundo, a maioria também queria a parte da mordida rs).


Sim, os roteiros eram rasos, o CGI era bizarro e ele fucking BRILHAVA NO SOL. Mas dadas as condições da produção, Pattz entregou uma performance digna e, principalmente, fiel aos livros (o que não diz muito dada a profundidade do material). E dica: não tem experiência melhor do que rever a saga após um compilado de entrevistas da época em que o ator não segurava o shade sobre os bastidores.



Teve até documentário para tentar explicar a febre “Robssessed”, mesmo que a fama de galã vinha atrelada a declarações polêmicas (nível assumir sua falta de higiene pessoal por pura preguiça) e todo o seu controverso relacionamento com Kristen Stewart.


Não à toa o ator quis se afastar dos holofotes logo que seus compromissos contratuais com a saga chegaram ao fim. E os anos seguintes foram de boas atuações em produções mornas como “Água para Elefantes” e “Z: A Cidade Perdida”, e alguns filmes mais independentes que não tiveram tanta repercussão.


O ano de seu precipitadamente criticado anúncio como o próximo Batman era, até então, um dos mais notáveis de sua carreira. Com direito a distribuição global no esquecível “O Rei” da Netflix e burburinho de indicação ao Oscar por sua atuação no denso “O Farol”, de Robert Eggers.


Convenhamos que é difícil dar credibilidade para o Batman no cinema depois dos trajes com mamilos e a recente atuação de Ben Affleck, mas não demorou para um exército de incels sair da toca (provavelmente o porão das casas de suas mães) e reviver seu ódio de 2008 para repudiar a ideia de ver “Edward Cullen” como “O” Batman.


Levando em consideração o privilégio branco, a aura misteriosa e o arco movido pelos arrependimentos do passado, os dois tem muito em comum. Além de toda a corelação entre vampiros e morcegos no imaginário popular.


Mas separando ator de personagem, RPattz é uma ótima escolha para reinventar o Batman nessa nova fase pós-Coringa. É louvável ver a DC assumindo essa vertente de construção de personagem profunda em contraponto á Cultura Marvel de trazer cada vez mais explosões e menos desenvolvimento de conteúdo. E parte dessa mudança traz também novos moldes de interpretes, fugindo de padrões estereotipados e corpos idealizados (inalcançáveis inclusive para os fanáticos que fazem tanta questão de ver essa representação de masculinidade ser perpetuada nas telas).



Talvez o Rob seja eternamente o Edward Cullen, mas só o incômodo causado ao ser escalado como Batman já consegue escancarar a toxidade por trás desse fanatismo do Mundo Geek que não fica nada longe do que era tão criticado fandom da Twilight Saga.


Lidar material nerd é ficar a mercê de um grupo que não esconde sua misoginia e descontentamento com toda e qualquer representatividade nos elencos (vide hate com "Aves de Rapina", "Pantera Negra" e "Capitã Marvel"), e que agora também deixa claro que não aceitam alguém que participou de projetos que não julguem dignos de seu pseudointelecto.


Um ano antes da estreia e com apenas um mísero teaser (que sinceramente pode ser qualquer dublê usando o uniforme naquela luz vermelha), ainda é cedo para defender a atuação em si. Mas nunca é tarde para rever seus preconceitos.


E não da para descartar a possibilidade de um glow up indo de vencedor do Teen Choice Awards de Melhor Vampiro (sim, isso aconteceu) para um potencial vencedor do Oscar em 2022.

"The Batman", de Matt Reeves, tem previsão de estréia para Junho de 2021. E me comprometo a só julgar o filme e a interpretação de Robert Pattinson depois de assistir!

NAVEGUE

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