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Crítica: "Rocketman"



Em um abismo de biografias E filmes musicais que só me trouxeram decepção, eu tentei ao máximo não criar expectativas com Rocketman. O que foi fácil já que, independente da minha admiração por sua obra, sempre tive preguiça da personalidade controversa que Elton John tem sido na mídia nos últimos anos.


Mas conhecer o Reggie Dwight foi como conhecer uma parte minha. E acompanhar todo o processo de “Matar quem você é para construir quem você quer ser” que o garoto gorducho de um lar caótico precisou passar para hoje ser O SIR Elton John foi uma experiência transformadora que eu não fazia ideia do quanto precisava passar.


Toda cinebiografia de artista segue um mesmo protocolo, tentando humanizar um ícone mostrando seus sacrifícios para alcançar o topo e momentos marcantes de sua carreira que fizeram tudo valer a pena. Não é o caso desse roteiro brilhantemente escrito por Lee Hall.


Ao invés de ser pretensioso e simplesmente glamourizar o legado de uma lenda, o filme é uma sessão de terapia que despe cada pena e adereço que constrói a entidade Elton John enquanto o próprio perdoa os demônios do seu passado.


Diferente dos lip syncs pavorosos que vem acontecendo nos filmes sobre cantores, o filme se assume como um musical e conta a história através de números musicais impecáveis. Entre planos sequência e uma fotografia absurdamente bem elaborada, é impossível não terminar o filme totalmente imerso.


Toda a atmosfera criada é hipnotizante, principalmente por conta dos figurinos extravagantes e todo o conceito criado pela direção de arte.


Taron Egerton. Zero defeitos. Toda sua caracterização é assustadoramente perfeita e sua atuação é de uma complexidade apaixonante.


O elenco ainda nos faz amar o Bernie Taupin de Jamie Bell (Billy Elliot cresceu MUITO bem!) e deliciosamente odiar a mãe desprezível interpretada por Bryce Dallas Howard (Jurassic World).


Questões extremamente pesadas são tratadas com uma sensibilidade que me fizeram chorar do começo ao fim. E é louvável a liberdade com que a sexualidade é abordada durante a narrativa. Afinal, é a história de uma personalidade abertamente gay e não tem motivos para isso ser deixado de fora (da vontade né, Bohemian Rhapsody?)


Uma importante mensagem é entregue através da contextualização de “Goodbye Yellow Brick Road”, que representa a tomada de consciência de Elton sobre a vida ir além de toda a magia que o sucesso (e as drogas) poderiam lhe proporcionar sob a condição de se esconder na fantasia. Todos precisamos encontrar nossa criança interior e fazer as pazes com ela.

“Rocketman” estreia em 30 de Maio, com distribuição da Paramount Pictures.

NAVEGUE

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